- mell280
22/08/2026 06h23
Por que as melhores decisões não são tomadas por uma pessoa só
Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, ouvir profissionais com experiências e pontos de vista distintos pode fazer a diferença
Durante muito tempo, o mundo dos negócios valorizou a figura do líder capaz de decidir praticamente sozinho. Aquele executivo que conhece a empresa, entende o mercado e, pela experiência acumulada, sabe qual caminho seguir. Mas esse modelo está cada vez mais limitado.
Entrar em um novo mercado, adquirir uma empresa, lançar um produto ou definir uma estratégia de crescimento envolve questões financeiras, jurídicas, tecnológicas, operacionais e humanas. É difícil imaginar que uma única pessoa, por mais preparada que seja, consiga dominar todas essas variáveis.
Para Marcos Koenigkan, presidente do Think Tank Mercado & Opinião, esse é um dos desafios da liderança atual. “Os problemas ficaram sofisticados demais para serem analisados por uma única lente. Quanto mais complexa é uma decisão, maior a necessidade de reunir pessoas capazes de enxergar aspectos diferentes do mesmo problema”.
É nesse cenário que a diversidade de pensamento ganha importância dentro das empresas. Formação, experiência e trajetória influenciam a maneira como cada profissional analisa uma situação e, principalmente, as perguntas que faz antes de seguir determinado caminho.
O financeiro olha para a viabilidade do investimento. O jurídico identifica riscos. A operação sabe o que é possível executar. O comercial conhece o cliente e acompanha as mudanças do mercado. Nenhuma dessas áreas, isoladamente, oferece o quadro completo. “As melhores decisões não pertencem à pessoa mais inteligente da sala. Elas surgem quando diferentes formas de pensar trabalham sobre o mesmo desafio”, afirma Koenigkan.
Essa necessidade de ampliar referências também ajuda a entender por que empresários e executivos continuam participando de comunidades de líderes, fóruns empresariais e grupos de relacionamento. O valor dessas redes vai além dos negócios que podem surgir a partir delas.
“Existe uma visão limitada de que networking serve apenas para gerar negócios. O maior patrimônio de uma boa rede é colocar empresários diante de experiências que eles dificilmente viveriam sozinhos. Quanto maior o repertório, melhor tende a ser a decisão”, diz Koenigkan.
Ter profissionais competentes à mesa, porém, não basta se ninguém estiver disposto a ouvi-los. Para Paulo Motta, vice-presidente do Mercado & Opinião em São Paulo, muitas empresas ainda esbarram justamente nesse ponto. São equipes qualificadas que, na prática, participam de reuniões apenas para confirmar aquilo que a liderança já definiu.
“O líder que entra em uma reunião apenas para validar a própria opinião reduz a inteligência da equipe. Escutar é admitir que alguém pode enxergar algo que você ainda não viu”, afirma.
Quando a hierarquia passa a pesar mais do que os argumentos, as pessoas deixam de questionar. O contraditório perde espaço e a empresa corre o risco de desperdiçar conhecimento que já está dentro de casa.
“As redes mais valiosas não são aquelas em que todos concordam, mas aquelas em que existe confiança para discordar. É desse confronto respeitoso que surgem as decisões mais maduras”, pontua Motta.
Koenigkan vê nessa troca uma das funções de organizações como o Mercado & Opinião. “Um Think Tank não existe para produzir unanimidade. Existe para conectar perspectivas. Quando diferentes trajetórias analisam o mesmo problema, a decisão deixa de depender da inteligência de um indivíduo e passa a refletir a inteligência construída pelo grupo”.
Isso não significa reduzir a importância de quem lidera. Ao contrário. Em empresas que precisam responder rapidamente a cenários cada vez mais complexos, talvez uma das principais competências de um líder seja saber quem precisa ser ouvido antes de decidir.
#artigo
#cidades
#tudodoms
#novidades
#Entretenimento


