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AGOSTO LILÁS
Iniciativa no HU-UFGD visa incentivar a reflexão da comunidade hospitalar sobre a importância do enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres
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No Brasil, a violência contra a mulher não acontece em casos isolados. Segundo dados da Rede de Observatórios da Segurança, em média, 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, por dia, em 2025, em nove estados pesquisados. Para alertar a população e combater a violência contra a mulher, é realizada anualmente a campanha Agosto Lilás. Em 2026, a mobilização coincide com a celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada com o intuito de estabelecer mecanismos para prevenir e coibir a violência de gênero no país.
O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), administrado pela HU Brasil, presta atendimento especializado a pessoas em situação de violência sexual, por meio do Programa Acalento, que conta com a Sala Lilás especialmente estruturada para essa finalidade.
O Acalento é uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, com o objetivo de evitar que a pessoa precise percorrer diferentes órgãos em busca de atendimento, concentrando no hospital o acolhimento inicial e a assistência necessária.
O serviço oferece atendimento humanizado, sigiloso e especializado às pessoas em situação de violência sexual ocorrida nas últimas 72 horas. O acolhimento inicial é realizado pela equipe de enfermagem e, conforme a idade, o atendimento médico é conduzido pela ginecologia ou pediatria.
“São realizados os exames previstos no protocolo, a administração de medicamentos para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, e, quando indicada, a contracepção de emergência. Durante o período diurno, também são acionadas as equipes de psicologia e serviço social. Após o atendimento inicial, a pessoa é orientada e encaminhada para continuidade do acompanhamento na rede de saúde e proteção social” detalha a chefe da Unidade de Saúde da Mulher do HU-UFGD/HU Brasil, Crislaine da Silva Nantes.
O serviço é destinado a mulheres de todas as idades, homens trans e crianças do sexo masculino com menos de 12 anos que tenham sofrido violência sexual nas últimas 72 horas. “Trata-se de um serviço de porta aberta, que funciona 24 horas, todos os dias da semana, portanto não é necessário encaminhamento ou agendamento prévio”, completa Crislaine, informando ainda que a mulher adulta pode receber assistência à saúde mesmo que não queira registrar boletim de ocorrência. “O registro policial não é uma condição para o atendimento ou para o recebimento das medidas preventivas necessárias”, esclarece.
72 horas
Em situações de violência sexual, a principal orientação é procurar atendimento de saúde o mais rapidamente possível, preferencialmente nas primeiras 72 horas após a violência.
“Esse período é fundamental porque possibilita a adoção imediata de medidas de cuidado e proteção, a realização da profilaxia, além da avaliação médica e das condutas necessárias após a violência sexual. Mas nos casos em que a violência ocorreu há mais de 72 horas, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e acompanhamento, que poderá realizar os encaminhamentos necessários conforme cada situação”, esclarece a assistente social Joyce Florencio Torquatro Mendonca, que integra a equipe do Acalento.
“A pessoa deve procurar um serviço de saúde para receber acolhimento, avaliação, exames, orientações e encaminhamento para acompanhamento, e não deve deixar de buscar ajuda por medo, vergonha, ou por não desejar registrar boletim de ocorrência. Ela não é culpada pela violência sofrida, e tem direito a um atendimento digno, sigiloso e sem julgamentos”, finaliza Crislaine Nantes.
Bancos vermelhos
A campanha do Agosto Lilás ganhou reforço no HU-UFGD/HU Brasil com a instalação de três Bancos Vermelhos, em locais estratégicos: na Unidade da Mulher e da Criança (UMC), em frente à recepção de internação e na entrada de funcionários. A iniciativa integra uma mobilização internacional que utiliza o banco vermelho como símbolo de conscientização e memória das vítimas de violência de gênero.
A proposta é incentivar a reflexão da comunidade hospitalar sobre a importância do enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres. O símbolo convida pacientes, acompanhantes, estudantes, residentes, trabalhadores e visitantes a refletirem sobre a responsabilidade coletiva na construção de ambientes mais seguros e respeitosos.
Os Bancos Vermelhos foram instalados no hospital no mês de junho, durante a Semana Estadual de Combate ao Feminicídio. De acordo com a Comissão de Combate ao Assédio Moral, Sexual e Discriminação do HU-UFGD/HU Brasil, a mensagem associada aos Bancos Vermelhos reforça a necessidade de transformar a reflexão em atitudes concretas de respeito, acolhimento e enfrentamento à violência.
Além da instalação dos bancos, a comunidade hospitalar participou da construção de um painel colaborativo, reunindo mensagens e manifestações sobre o tema, com o objetivo de estimular o diálogo e ampliar a conscientização sobre a prevenção da violência contra as mulheres nos espaços de trabalho, ensino, cuidado e convivência.
Faces da violência e direitos garantidos
A violência contra as mulheres pode se manifestar de diferentes formas, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais. A informação, a escuta qualificada e o acesso aos serviços de proteção são medidas fundamentais para a prevenção e o enfrentamento desse problema.
Esse tipo de violência pode se manifestar de diferentes formas: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Em alguns casos, ela pode escalar e culminar em sua expressão mais grave, o feminicídio.
No Brasil, as mulheres têm direitos garantidos não apenas pela Lei Maria da Penha, mas também por outras regulamentações, como o atendimento médico de emergência gratuito pelo SUS; o apoio psicológico e social; o acesso gratuito à Profilaxia Pós-Exposição (PEP); o aborto legal; a dispensa de boletim de ocorrência no hospital; a proteção contra a revitimização; o sigilo e a privacidade; a assistência jurídica gratuita e as medidas protetivas contra o agressor.
Apesar de não ser obrigatório fazer o boletim de ocorrência antes de procurar atendimento hospitalar, por exemplo, as pessoas nessa situação são orientadas quanto à importância de utilizar os canais de denúncia, como delegacias, o 190 (Polícia Militar), o 180 (Central de Atendimento à Mulher), os núcleos da Defensoria Pública, do Ministério Público e o FalaBR, visando sua proteção.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFGD integra a HU Brasil desde setembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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