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Pesquisa revela que ideologia influencia a identificação de fake news entre idosos


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  • mell280

05/09/2026 15h00

Pesquisa revela que ideologia influencia a identificação de fake news entre idosos

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Pessoas que se declararam de esquerda tem 81% de acertos em teste, enquanto que os de direita e centro obtiveram 66,7% e 63,9%.

 

 

Um estudo que fez parte de um projeto de pesquisa sobre fake news junto a pessoas 60+, feito por pesquisadores a partir de um projeto de um projeto de incentivo à pesquisa da PUC MINAS com colaboração de outras 6 universidades brasileiras (UNIFAE, ESPM, UFPR, UNIRIO, Universidade Estadual do Rio de Janeiro e Universidade Federal do Ceará) traz dados sobre a relação da população 60+ com a desinformação.

A realizada em diferentes localidades brasileiras por meio da colaboração de professores e pesquisadores responsáveis pela aplicação dos instrumentos em seus respectivos contextos regionais. Participaram do estudo 216 indivíduos provenientes de diferentes regiões do Brasil: Belo Horizonte; interior de Minas; São Paulo; interior de São Paulo; Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza. Os participantes responderam a um questionário composto por seis conteúdos informacionais, incluindo materiais verdadeiros e desinformativos apresentados em diferentes formatos. Para cada item, os respondentes deveriam indicar se consideravam o conteúdo verdadeiro ou falso.

O primeiro estudo realizado, de caráter experimental, comprovou que a educação midiática audiovisual é um potente nivelador social: após assistirem a um vídeo educativo, idosos com menor escolaridade e renda alcançaram desempenhos satisfatórios na identificação de informações fraudulentas. Também trouxe dado sobre o consumo informacional de que 25,4% dos participantes já não utilizam veículos tradicionais como rádio, jornais impressos ou televisão, enquanto 19,4% informam-se exclusivamente nas redes sociais por meio de publicações de amigos ou perfis de políticos.

Complementando esse cenário, o segundo estudo realizado pela mesma equipe, focou na influência de fatores identitários e revelou que o posicionamento político e a religião atuam como filtros de percepção, com participantes que se posicionam como sendo de esquerda registrando 81% de acertos, enquanto os de direita e centro obtiveram 66,7% e 63,9%, respectivamente.

Diferenças significativas também foram observadas em relação à preferência musical. Participantes que declararam preferência por Música Popular Brasileira (MPB) apresentaram os maiores percentuais médios de acertos (78,4%), seguidos por indivíduos que preferiam outros gêneros musicais (75,4%), sertanejo (64,1%) e música gospel (62,3%). Embora essa variável não possua relação direta com competências midiáticas, os resultados podem refletir diferenças socioculturais presentes entre os grupos investigados, reforçando a complexidade dos fatores associados ao desempenho observado.

Verificou-se também um paradoxo relevante no primeiro estudo sobre a autopercepção de competência: embora 80,6% dos idosos considerem que conseguem identificar uma notícia falsa, a vasta maioria (77,6%) declarou não se sentir segura para validar informações sozinhos. Neste sentido, "intervenções pedagógicas diretas são capazes de reduzir as vulnerabilidades geradas por vieses ideológicos e desigualdades socioeconômicas, mas que este deve ser um processo pautado a longo prazo, considerando as variáveis sociais, demográficas, culturais, políticas e econômica dos cidadãos, por meia da implementação de políticas públicas para este fim" avalia Adinan Nogueira, publicitário e professor Doutor em Ciências da Comunicação (PUC MINAS e UNIFAE) que juntamente de Diego de Deus, doutorando em Ciências da Comunicação pela UFMG, coordenaram o projeto.

Os resultados do primeiro estudo foram apresentados, em novembro de 2025, no Congresso Cómplices de la Comunicación, organizado pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri. Já os resultados do segundo foram aprovados e também apresentados em agosto deste ano, no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, o maior evento da área de comunicação no Brasil, promovido anualmente pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).


 

 




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