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PIB (+0,7 p.p. em 2028): Economistas estimam queda de 54,2% nos Juros até 2028


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  • mell280

21/10/2026 08h18

PIB (+0,7 p.p. em 2028): Economistas estimam queda de 54,2% nos Juros até 2028

Luiza Torres:


"Uma redução estrutural desse tamanho no custo do dinheiro teria impacto relevante sobre investimento, crédito e consumo", Valdir Piran Jr., CEO do Intra.

 

 

       “Um ajuste fiscal consistente permitiria ao Brasil sustentar juros mais baixos nos próximos anos, ao reduzir o prêmio de risco e melhorar as expectativas de inflação. Isso favoreceria o crédito e os investimentos, ampliando o espaço para o crescimento, embora a intensidade desse ganho dependa da qualidade do ajuste e da evolução da produtividade. Sem essa melhora, há risco de convivermos com baixo crescimento e juros elevados, mesmo com a atividade enfraquecendo. A pressão do câmbio e a desconfiança sobre a trajetória da dívida podem limitar os cortes da Selic. A desaceleração da economia, sozinha, não garante uma queda duradoura dos juros”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.

 

 

 

       “O Brasil não conseguirá sustentar juros significativamente menores apenas porque o consumo e a atividade econômica perderam força. Com os juros americanos ainda elevados, uma redução acelerada da Selic sem credibilidade fiscal pode pressionar o dólar e dificultar o controle da inflação. Se o país conseguir estabilizar suas contas e ancorar as expectativas em torno de 3%, uma Selic entre 7,5% e 9% de 2028 a 2030 se torna viável, com potencial de acrescentar de 0,3 a 0,6 ponto percentual ao crescimento anual em um cenário favorável. O maior avanço seria transformar juros menores em previsibilidade para famílias e empresas, ampliando a capacidade de planejamento e favorecendo decisões de financiamento de longo prazo”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

       “Uma Selic mais baixa não representa necessariamente uma economia mais forte. O BTG simula juros de até 6,3% em 2028, mas esse resultado depende também de um enfraquecimento adicional da demanda, o que diferencia uma redução provocada pela desaceleração de outra sustentada pela confiança. O cenário mais favorável seria combinar ajuste fiscal, inflação próxima de 3% e ganhos de produtividade, permitindo juros entre 7% e 8,5% até 2030. Nessas condições, o crescimento poderia receber um impulso hipotético de 0,4 a 0,7 ponto percentual ao ano. Para as empresas, a oportunidade está em aproveitar maior previsibilidade financeira para integrar crédito, pagamentos e tecnologia às operações, aumentando eficiência e criando novas fontes de receita”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

       “O desafio brasileiro não é apenas reduzir os juros, mas transformar essa redução em produtividade e crescimento. Enquanto a economia global avança com investimentos em tecnologia e inteligência artificial, o Focus projeta expansão de apenas 1,81% para o PIB brasileiro em 2028. Com credibilidade fiscal, inflação controlada e maior confiança dos investidores, a Selic poderia alcançar a faixa de 7,5% a 8,5% entre 2028 e 2030, criando condições para um ganho potencial de 0,4 a 0,7 ponto percentual no crescimento anual. Sem esse ajuste, mesmo uma atividade mais fraca pode não permitir cortes sustentáveis. Para o venture capital, juros estruturalmente menores e maior previsibilidade favorecem investimentos em startups capazes de gerar inovação, escala e ganhos reais de produtividade”, Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

       “A simulação do BTG mostra bem o peso que o fiscal tem sobre a taxa de juros. Com um ajuste crível, eu acredito que o Brasil poderia sustentar uma Selic mais próxima de 8% a 10% entre 2028 e 2030, desde que a inflação esteja convergindo para a meta. Os 6,3% calculados pelo BTG são possíveis em um cenário bastante favorável, que combina melhora fiscal, expectativas ancoradas e desalavancagem das famílias, mas eu não trataria esse nível hoje como cenário-base. Uma redução estrutural desse tamanho no custo do dinheiro teria impacto relevante sobre investimento, crédito e consumo. Numa estimativa conservadora, poderia acrescentar algo entre 0,3 e 0,5 ponto percentual ao crescimento anual ao longo desse período. Mas juros menores sozinhos não elevam o crescimento potencial. Para sustentar taxas maiores de expansão, também precisamos de investimento, produtividade e maior previsibilidade econômica. Sem ajuste fiscal, existe o risco de acontecer justamente o contrário: a atividade enfraquece, mas os juros longos permanecem elevados porque o prêmio de risco não cai. Nesse cenário, o Banco Central pode até reduzir a Selic, mas o custo de capital das empresas não acompanha na mesma velocidade. É uma combinação ruim para investimento e crédito e pode manter o país por vários anos crescendo pouco e convivendo com juros reais altos”, Valdir Piran Jr., CEO do Intra. 

       “A trajetória da Selic brasileira continuará condicionada ao comportamento do dólar, dos juros americanos e da percepção internacional de risco. Mesmo com uma desaceleração doméstica, o Brasil não poderá reduzir indefinidamente seu diferencial de juros sem comprometer a estabilidade cambial. Um ajuste fiscal consistente permitiria diminuir esse prêmio de risco e sustentar uma Selic entre 7,5% e 9% de 2028 a 2030, com inflação controlada. Em uma hipótese favorável, o alívio monetário poderia acrescentar de 0,3 a 0,6 ponto percentual ao crescimento anual. Sem credibilidade, existe o risco de baixo crescimento acompanhado de juros persistentemente altos. Para os investidores, esse cenário reforça a importância de combinar ativos brasileiros com diversificação internacional e exposição a moedas fortes”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.


 





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