28/10/2026 14h00
Sindirações divulga resultado do 1º semestre com crescimento de 4,2% na produção de rações
Setor de alimentação animal produziu 45,2 milhões de toneladas no primeiro semestre, impulsionado pela avicultura de corte e suinocultura, em um cenário de exportações aquecidas e desafios à rentabilidade dos produtores
A indústria brasileira de alimentação animal produziu aproximadamente 45,2 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, ante 43,3 milhões no mesmo período de 2025, segundo levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). O crescimento de 4,2% alcançou todos os segmentos acompanhados, com maior contribuição da avicultura de corte e da suinocultura.
Segundo Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, “a expansão convive com pressões sobre a remuneração dos produtores, o que mostra que o avanço dos volumes nem sempre se traduz em maior rentabilidade. O setor precisa transformar experiência em estratégia para produzir com eficiência, decidir com informação e crescer com rentabilidade”, diz.
Avicultura de corte lidera o crescimento
As rações para frangos de corte somaram 19,9 milhões de toneladas, contra 18,9 milhões em 2025, alta de 5,3%. O acréscimo de aproximadamente um milhão de toneladas foi a maior contribuição absoluta ao crescimento setorial, e a atividade respondeu por cerca de 44% da produção total de alimentação animal no semestre.
As exportações ajudam a explicar esse desempenho. Os embarques de carne de frango superaram 2,9 milhões de toneladas, crescimento de 12,9%, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e estabeleceram recorde para o primeiro semestre, favorecidos pela diversificação dos destinos e, em parte, pela comparação com uma base afetada pelas restrições sanitárias de 2025.
Postura enfrenta piora nas relações de troca
Na avicultura de postura, a produção de rações avançou 1% e atingiu aproximadamente 3,8 milhões de toneladas, ante 3,7 milhões. Zani ressalta, contudo, que os indicadores posteriores ao semestre apontam perda de poder de compra do produtor de ovos diante da alta dos preços do milho e do farelo de soja. A desvalorização dos ovos e o encarecimento dos insumos levaram as relações de troca aos menores níveis reais dos últimos anos.
Suinocultura: exportações em alta e sobreoferta interna
Na suinocultura, a produção de rações passou de 10,6 milhões para 11,2 milhões de toneladas, avanço de 5,4%, impulsionada pelas exportações de carne suína, que somaram mais de 794 mil toneladas, alta de 10%, segundo a ABPA. Apesar desse desempenho, a expansão do plantel e os ganhos de produtividade elevaram a oferta além da capacidade de absorção dos mercados. Na avaliação do CEO do Sindirações, esse descompasso pressionou o preço do suíno e comprometeu as margens dos produtores independentes.
Bovinocultura de corte: virada do ciclo
Na bovinocultura de corte, a produção de rações alcançou 2,86 milhões de toneladas, 110 mil toneladas a mais do que no mesmo período de 2025. A maior retenção de matrizes, reforçada em setembro pela queda de mais de 30% no abate de fêmeas sob inspeção federal, altera as perspectivas da atividade. De acordo com Zani, a menor oferta pode sustentar a arroba do boi gordo e pressionar as margens dos frigoríficos. Além disso, a alta na ocupação dos cochos consolidou a virada do confinamento a partir de junho, tendência de forte recuperação para o segundo semestre que tem sido validada por relatórios de diversas instituições especializadas.
O dirigente pondera que a mudança do ciclo pecuário não implica necessariamente queda proporcional da demanda por alimentação industrializada. Eventuais reduções podem ser compensadas pela retenção de matrizes com necessidades de suplementação reprodutiva, enquanto os preços da reposição, do boi e dos ingredientes influenciam a recria, a terminação e o confinamento. O resultado dependerá, portanto, das condições das pastagens, das estratégias nutricionais e da viabilidade de cada sistema.
Leite pressionado pelas importações
Na bovinocultura leiteira, a produção de rações cresceu 1,8% e somou 3,8 milhões de toneladas, apesar das pressões sobre a rentabilidade dos produtores, sobretudo pelas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, que prejudicam a produção doméstica. Para Zani, essa compressão das margens limita investimentos e pode até comprometer a permanência de produtores na atividade, o que reforça a necessidade de soluções nutricionais que melhorem o retorno por litro produzido.
Aquicultura, pet food e equinos
Na aquicultura, a produção de rações cresceu 5,4% e alcançou aproximadamente 940 mil toneladas. Os alimentos para cães e gatos avançaram 1% e superaram a marca de 2 milhões de toneladas, enquanto as rações para equinos atingiram cerca de 470 mil toneladas.
Eficiência, planejamento e gestão
Em síntese, o balanço revela a expansão da indústria brasileira de alimentação animal, inserida, contudo, em cadeias produtivas de proteína animal com desafios econômicos distintos. Os recordes de exportação coexistem com sobreoferta na suinocultura, piora das relações de troca na postura, mudança do ciclo bovino e concorrência dos lácteos importados.
Na avaliação de Ariovaldo Zani, “o esforço deve concentrar-se na combinação de eficiência nutricional, planejamento comercial e gestão financeira para que o crescimento da produção se traduza em resultados sustentáveis”.
Produção de rações (milhões de toneladas)
|
Segmento |
1º sem/26 |
Var. 26/25 |
Cenário e desafios |
|
Avicultura de corte |
19,9 |
+5,3% |
Recorde de exportações; forte pressão sobre a rentabilidade do produtor |
|
Suinocultura |
11,2 |
+5,4% |
Sobreoferta interna; baixo preço ao produtor independente |
|
Bovinocultura de leite |
3,8 |
+1,8% |
Margens comprimidas por importações de leite em pó do Mercosul |
|
Avicultura de postura |
3,8 |
+1,0% |
Recente deterioração do poder de compra; relações de troca com milho e soja |
|
Bovinocultura de corte |
2,86 |
+4,0% |
Virada do ciclo com forte retenção de matrizes e encarecimento da reposição |
|
Cães e gatos |
2,01 |
+1,0% |
Ajuste fino de custos e diminuição das margens; manutenção de volume no varejo |
|
Aquicultura |
0,94 |
+5,4% |
Consolidação da atividade; ameaça externa das importações |
|
Equinos |
0,47 |
+0,5% |
Razoável estabilidade de consumo |
|
Outros |
0,32 |
+1,0% |
Crescimento orgânico das demais criações |
|
Total geral |
45,2 |
+4,2% |
Volume avança; margens apertadas, crises de oferta, ganho real comprometido |
Produção de rações – janeiro a junho de 2026 (milhões de toneladas)

Produção de rações por segmento – 1º semestre de 2026 (verde-escuro) x 1º semestre de 2025 (verde-claro), em milhões de toneladas
Fonte: Sindirações
Sobre o Sindirações
O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal - Sindirações atua como interlocutor da indústria de alimentação animal com o objetivo de promover um ambiente competitivo adequado para a produção do alimento animal seguro. Fundado em 1953, o Sindirações é o principal representante da indústria brasileira de rações, concentrados, núcleos, premixes e suplementos/sal mineral junto aos principais organismos nacionais e internacionais. A entidade reúne aproximadamente 150 associados, que representam 90% do mercado de produtos destinados à alimentação animal, incluindo as empresas que importam e comercializam insumos, e aquelas que utilizam para consumo próprio. As prioridades concentram-se na segurança dos alimentos; regulamentação; negociação trabalhista; acreditação de programas de qualidade; contribuição para assuntos tributários; garantia de suprimento; participação ativa perante organismos internacionais e garantia da sustentabilidade econômico-financeira do setor. Com sede em São Paulo, no edifício da FIESP, o Sindirações é filiado a FEEDLATINA, Asociación de las Indústrias de Alimentación Animal de America Latina y Caribe e a IFIF – International Feed Industry Federation. Mais informações pelo Facebook, Instagram, Twitter, LinkedIn, ou pelo canal do Youtube.





