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Brazil Windpower 2026 reforça protagonismo da geração eólica na transição energética


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29/10/2026 05h15

Brazil Windpower 2026 reforça protagonismo da geração eólica na transição energética

Daniela Ribeiro


Líderes do setor debatem gargalos de transmissão, segurança regulatória e caminhos para destravar investimentos em fontes renováveis

 

 

 

 

O segundo dia do Brazil Windpower 2026, realizado no São Paulo Expo, destacou-se por reflexões estratégicas sobre o futuro energético do País. Reuniu líderes, reguladores, especialistas e representantes de toda a cadeia produtiva para debater o papel central das energias renováveis na eletrificação da economia, na segurança de suprimento, no equacionamento de gargalos operacionais e na atração de novos investimentos. 

Com uma abordagem voltada a soluções estruturantes e a uma perspectiva otimista quanto ao protagonismo global do Brasil, o evento evidenciou que a transição energética extrapola as pautas puramente ambientais, convertendo-se em uma questão importante para a soberania do Brasil e competitividade econômica. 

A sinergia entre eletrificação, segurança energética e soberania 

Um dos pontos contemplados pela programação foram os desafios para acelerar a eletrificação dos setores industriais e dos transportes, pavimentando bases sociais e econômicas sólidas. Com mediação de Natália Oliveira (Global Renewables Alliance - GRA), o painel abordou a urgência de transformar metas climáticas globais em diretrizes pragmáticas para os governos e o mercado. 

"Não basta o mundo saber que o planeta está aquecendo e passando por mudanças climáticas, pois a humanidade só se move por questões econômicas, principalmente os governos e os governantes. Não se trata mais apenas de clima, mas também de segurança e soberania energética", afirmou Elbia Gannoum, presidente-executiva da ABEEólica. 

Complementando a discussão sobre o avanço tecnológico e a demanda por energia, os especialistas ressaltaram que o país dispõe de excelentes ativos, mas precisa alinhar a agilidade regulatória com a absorção de inovações disruptivas. 

"O desafio do país é combinar a maturidade técnica e regulatória do setor elétrico brasileiro com a agilidade necessária para incorporar novas tecnologias e direcionar investimentos", ponderou Vitor Caram, diretor de Expansão LATAM da ODATA. 

Transmissão e sinais econômicos 

A expansão e a modernização das redes de transmissão ocuparam o núcleo das análises técnicas. Os debatedores apontaram que a abundância de fontes limpas perde eficácia se a infraestrutura de escoamento não acompanhar o ritmo de crescimento da demanda industrial e urbana. 

"Hoje, temos uma matriz energética majoritariamente renovável, que cresceu 40% em seis anos. No entanto, existe uma grande lacuna: ainda não é possível garantir que a energia, barata, abundante e renovável, chegue aonde é necessária. A transmissão e a eletrificação são os principais viabilizadores da transição energética", destacou Glauco Freitas, diretor para a América Latina (Cone Sul) e diretor-geral no Brasil da Hitachi. 

A formulação de sinais econômicos precisos e transparentes foi uma das possibilidades levantadas pelos especialistas como uma ferramenta de planejamento para otimizar os investimentos na próxima década.  

"Os investimentos em infraestrutura têm papel fundamental na orientação e na expansão do setor. É necessário planejamento, considerando o papel da transmissão, e trazer novas tecnologias para o Brasil, além de estabelecer um sinal econômico mais claro que reduza os custos e aproxime a demanda dos locais de geração", ressaltou Rodrigo Borges, Market Lead Brasil da Aurora Research. 

Pensando o planejamento de longo prazo, os especialistas destacaram ainda a necessidade de consolidar políticas públicas consistentes que tornam o planejamento mais estratégico perante o mercado nacional.  

"Não é possível fazer a transição energética sem transmissão, que conecta a geração à carga. É preciso começar a tratar essa agenda como uma estratégia nacional de soberania, amparada por investimentos contínuos e segurança regulatória", pontuou Thiago Ivanoviski, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE. 

O desafio acústico na instalação de parques eólicos 

Os efeitos acústicos dos parques eólicos e a insuficiência de regras engessadas de distâncias mínimas foram o foco do painel “Conectando conhecimentos técnicos de ruídos com o viés social”, mediado por Krisdany Cavalcante (dB Laboratório de Acústica). Reunindo especialistas, gestores públicos e acadêmicos, incluindo Marco Antônio M. Vecci (UFMG), o debate ressaltou que a propagação sonora exige avaliações caso a caseiras e detalhadas, considerando fatores como relevo, regime de ventos e características dos equipamentos. Como sintetizou Jarbas Amaro, da Auren, “o som não respeita raios fixos”. 

A discussão também enfatizou o papel fundamental da transparência e da integração com a sociedade para o sucesso dos empreendimentos. Para Adroilzo Fonseca, secretário de Meio Ambiente da Paraíba, “essa discussão precisa chegar às pessoas; as comunidades precisam entender o que está sendo discutido”.  

Na mesma linha, José Anchieta, presidente da CPRH/PE, pontuou que “o melhor empreendimento é aquele de que a comunidade se apropria”, reforçando que o monitoramento contínuo, a melhoria de normas técnicas e o envolvimento ativo da população local são indispensáveis para garantir a harmonia entre o desenvolvimento energético e o bem-estar social. 

Caminhos e soluções práticas para o setor elétrico 

O encerramento dos debates convergiu para uma agenda de prioridades voltada a transformar o potencial renovável brasileiro em realidade de mercado nos próximos anos: 

  • Redes inteligentes e resilientes: Investir de forma contínua em infraestruturas de transmissão mais robustas e preparadas para eventos climáticos extremos. 
  • Aprimoramento dos preços da energia: Melhorar as regras para que o preço da energia mostre com clareza onde sobra e onde falta eletricidade, como uma forma de guiar a construção de novos parques de energia e a chegada de indústrias para os lugares mais eficientes do país. 
  • Uniformização regulatória: Garantir que agências governamentais, operadores e associações do setor atuem em sintonia para ter previsibilidade jurídica e atrair capital privado de longo prazo. 

O segundo dia do Brazil Windpower 2026 reafirmou que o Brasil possui todas as condições geográficas, industriais e institucionais para liderar a transição energética em nível internacional, desde que consiga conjugar expansão de rede, agilidade tecnológica e segurança regulatória. 

Serviço  

Brazil Windpower 2026  

Data: 27 a 29 de outubro de 2026, das 10h às 20h  

Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)  

Endereço: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda, São Paulo (SP)  

Link para credenciamento: https://www.brazilwindpower.com.br/imprensa/  

Realização: Informa Markets (promotora e organizadora), com co-organização da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e do Global Wind Energy Council (GWEC).  

Sobre a Informa 

A Informa conecta pessoas e mercados por meio de soluções digitais, conteúdo especializado, feiras de negócios, eventos híbridos e inteligência de mercado, construindo uma jornada de relacionamento e negócios entre empresas e mercados durante todo o ano. Presente em mais de 30 países, atua na América Latina há 30 anos, realizando anualmente mais de 40 eventos híbridos no Brasil e no México, além de eventos digitais, portais de notícias e plataformas de conexão e negócios.  

Sobre a ABEEólica  

A Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) é uma instituição sem fins lucrativos que representa a indústria de energia eólica e novas tecnologias no Brasil, reunindo empresas de toda a cadeia produtiva do setor.  

Sobre o GWEC  

O Global Wind Energy Council (GWEC) atua na promoção da energia eólica em todo o mundo, apoiando a abertura de novos mercados e o desenvolvimento da indústria em países como Brasil, China, México, África do Sul e Índia. 

 

  

 

 

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