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Cortes de energia renovável disparam 52,7% em 2026 e expõem paradoxo operacional com térmicas dispendiosas ligadas


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  • mell280

29/10/2026 10h22

Cortes de energia renovável disparam 52,7% em 2026 e expõem paradoxo operacional com térmicas dispendiosas ligadas

Millena Barros


Levantamento inédito da Volt Robotics defende 'passo zero' regulatório, metas de redução e soluções estruturais que serão detalhadas por Donato da Silva Filho no Brazil Windpower 

O setor elétrico brasileiro enfrenta uma situação desafiadora nos cortes de geração (curtailment) de fontes renováveis variáveis. Entre janeiro e setembro de 2026, o volume de cortes classificados por razão energética (ENE) cresceu 52,7% em comparação ao mesmo período de 2025, saltando para 18,67 TWh. O montante já representa 99% de todo o ENE cortado ao longo do ano anterior, evidenciando uma pressão crescente sobre os ativos eólicos e solares.  

Os dados fazem parte de um estudo técnico e de um conjunto de análises aprofundadas que estão sendo debatidos pelo CEO da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, durante a edição de 2026 do Brazil Windpower (BWP), em São Paulo. Segundo o levantamento, o prejuízo acumulado pelos geradores devido às restrições operativas já alcança R$ 15,5 bilhões.  

 

Evolução histórica do volume de cortes de geração (curtailment) por categoria no Sistema Interligado Nacional (2022–2026), com destaque para o crescimento de 52,7% nos cortes por razão energética (ENE) entre janeiro e setembro de 2026, que já alcançam 18,67 TWh (Fonte: Volts Robotics) 

As categorias e os gargalos estruturais do sistema 

De acordo com o estudo técnico da Volt Robotics, os cortes de geração são classificados pelo operador em três grandes frentes operativas, impulsionados por disfunções estruturais do SIN (Sistema Interligado Nacional):  

  1. Razão Energética (ENE): Ocorre devido ao desequilíbrio entre a oferta e a carga, refletindo a incapacidade momentânea de alocação da energia disponível. O fenômeno concentra-se em períodos de baixa carga líquida e alta produção de fontes intermitentes.  
  1. Razão Elétrica (REL): Decorre de restrições, gargalos de transmissão ou manutenções em subestações e linhas. Nesses casos, a energia limpa é desperdiçada não por falta de mercado consumidor, mas pela incapacidade física da rede em escoar a produção.  
  1. Confiabilidade (CNF): Associada a limites operativos estipulados para preservar a estabilidade, a segurança e a inércia do Sistema Interligado Nacional diante de variações bruscas de geração.  

Além das classificações formais, o levantamento aponta fatores agravantes como a inflexibilidade termelétrica (unit commitment), que mantém usinas termelétricas em operação para atender rampas de carga e necessidades de flexibilidade. Outro vetor crítico é a expansão acelerada da micro e minigeração distribuída (MMGD), que responde por mais de metade do excedente sistêmico (52,43%) sem contar com mecanismos centralizados de corte remoto, sobrecarregando ainda mais os grandes geradores centralizados. 

 

Decomposição dos componentes do excedente sistêmico que impulsionam as restrições operativas. A micro e minigeração distribuída (MMGD) responde por 52,43% do total, enquanto os 47,57% restantes dividem-se entre hidrelétrica flexível (38,13%), termelétrica flexível (6,88%) e eólica/solar Tipo III (2,56%) (Fonte: Volts Robotics) 

O paradoxo da sobreoferta e o custo da inflexibilidade 

A principal crítica levantada pelo estudo é a fragilidade metodológica na rotulagem desses eventos. Embora o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atribua as restrições à sobra de energia, as análises demonstram que cortes significativos coexistem com Preços de Liquidação das Diferenças (PLD) elevados, em faixas de R$ 200 a R$ 400/MWh ou superiores, e com a operação simultânea de usinas termelétricas custosas.  

Para Donato da Silva Filho, classificar automaticamente essas ocorrências como excesso de energia gera distorções graves no mercado. "Não se pode chamar de sobreoferta energética um corte que ocorre em momentos de PLD elevado e com usinas termelétricas ligadas. Se há térmicas em operação, o sistema está respondendo a uma necessidade de flexibilidade ou a restrições de transmissão, e não a uma abundância pura de energia. Tratar isso como excesso de geração dificulta a identificação da causa raiz e a formulação de uma solução consistente", aponta o executivo.  

O especialista ressalta que o foco do setor tem sido direcionado incorretamente para debates restritos sobre ressarcimento financeiro, o que gera insegurança regulatória e a falsa impressão de uma conta perpétua para os consumidores.  

Assimetria entre fontes e impactos na infraestrutura 

O levantamento detalha que a Energia Vertida Turbinável (EVT) das hidrelétricas possui dinâmica operacional distinta do curtailment eólico e solar. Enquanto 74% dos cortes energéticos em eólicas ocorrem sob condições de baixa carga líquida, apenas 29% dos eventos de EVT hidrelérico coincidem com esse cenário, provando que as fontes não são equivalentes em termos de flexibilidade, custos e salvaguardas.  

Além das perdas de receita, o avanço das restrições força a paralisação ou a operação em regime de baixa inércia das turbinas, acelerando o desgaste mecânico e elevando expressivamente os custos de Operação e Manutenção (O&M) dos parques.  

A solução proposta: O 'Passo Zero' regulatório, metas e o debate em painel 

Como alternativa concreta ao impasse regulatório, Donato defende que o setor adote uma estratégia estruturada em pilares fundamentais para superar os gargalos: 

  1. O "Passo Zero" regulatório (Classificação Confiável): Antes de discutir rateios de custos ou ressarcimentos, é imperativo estabelecer uma metodologia de classificação dos cortes que seja transparente, auditável e reprodutível. Sem saber a causa raiz exata de cada evento, isolando restrições de rede, de flexibilidade térmica ou de confiabilidade, qualquer alocação econômica será distorcida.  
  1. Plano de ação direcionado às causas raízes: Em vez de focar apenas em quem paga a conta do ressarcimento, o país deve espelhar casos de sucesso internacional (como China, Espanha, Estados Unidos/ERCOT e Austrália/South Australia), onde os índices de cortes foram drasticamente reduzidos por meio de investimentos direcionados em expansão de transmissão, modernização e remoção de inflexibilidades operativas do parque térmico.  
  1. Metas temporárias e redução gradual: A criação de um regime de compensação financeira temporária pode ser admitida para proteger os investimentos, mas deve vir atrelada a compromissos estritos de diminuição progressiva dos cortes por meio de metas anuais de eficiência sistêmica.  

Essas e outras soluções voltadas à preservação dos ativos serão detalhadas por Donato da Silva Filho no painel "Impactos dos cortes de geração na operação e manutenção", que contará com a moderação do próprio executivo e a participação de especialistas do setor: 

  • Horário: 14h00 - 15h00 
  • Apresentação e Moderação: Donato Filho, CEO — Volt Robotics 
  • Painelistas: 
  • Marcos Abbud, Gerente de Vendas — ABS Wind 
  • Tchiarles Coutinho, Gerente de Área de Mercado para a América do Sul, Energy Systems — DNV GL 
  • Rafael Lima, Gerente de Ativo — EDF Power Solutions 
  • André Balestero, Conselheiro de Administração / Gerente Executivo O&M de Complexos Eólicos — COPEL 

A programação completa do Brazil Windpower, que termina amanhã, dia 29, pode ser consultada em: https://www.brazilwindpower.com.br/congresso/  

Serviço  

Brazil Windpower 2026  

Data: 27 a 29 de outubro de 2026, das 10h às 20h  

Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)  

Endereço: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda, São Paulo (SP)  

Link para credenciamento: https://www.brazilwindpower.com.br/imprensa/  

Realização: Informa Markets (promotora e organizadora), com co-organização da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e do Global Wind Energy Council (GWEC).  

Sobre a Informa Markets  

A Informa Markets conecta pessoas e mercados por meio de soluções digitais, conteúdo especializado, feiras de negócios, eventos híbridos e inteligência de mercado, construindo uma jornada de relacionamento e negócios entre empresas e mercados durante todo o ano. Presente em mais de 30 países, atua na América Latina há 30 anos, realizando anualmente mais de 40 eventos híbridos no Brasil e no México, além de eventos digitais, portais de notícias e plataformas de conexão e negócios.  

Sobre a ABEEólica  

A Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) é uma instituição sem fins lucrativos que representa a indústria de energia eólica e novas tecnologias no Brasil, reunindo empresas de toda a cadeia produtiva do setor.  

Sobre o GWEC  

O Global Wind Energy Council (GWEC) atua na promoção da energia eólica em todo o mundo, apoiando a abertura de novos mercados e o desenvolvimento da indústria em países como Brasil, China, México, África do Sul e Índia.  

 

 

 



 




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