- mell280
12/05/2026 08h52
Queda do dólar impulsiona busca por vistos de empreendedor nos EUA
Com moeda americana em queda, cresce o interesse de brasileiros por investimentos, abertura de empresas e estratégias de imigração empresarial nos Estados Unidos
A queda do dólar para a faixa dos R$ 4,90, atingindo o menor patamar desde maio de 2024, reacendeu um movimento: a corrida de brasileiros interessados em empreender nos Estados Unidos. Com a moeda americana acumulando cerca de 12% de desvalorização nos últimos 12 meses, o custo de abertura de empresas, investimentos e estruturação de negócios no exterior ficou mais acessível para quem possui patrimônio em reais.
O cenário tem atraído empresários, investidores e empreendedores digitais que enxergam o momento como uma oportunidade estratégica para internacionalizar patrimônio e expandir operações. Segundo dados mais recentes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o Brasil segue entre os países com maior volume de emissão de vistos americanos no mundo. Após o crescimento expressivo registrado em 2023, quando as emissões para brasileiros avançaram 42% em relação ao ano anterior, o número de autorizações se manteve em patamar elevado ao longo de 2024, refletindo o aumento do interesse de brasileiros por viagens, negócios, investimentos e processos migratórios nos EUA.
Mas, apesar do entusiasmo, especialistas alertam que empreender nos EUA está longe de ser um processo simples, e muitos brasileiros chegam ao país com expectativas irreais. O dólar mais baixo pode representar uma oportunidade importante, mas não elimina as exigências jurídicas, financeiras e estratégicas do processo migratório. “O câmbio mais favorável ajuda no planejamento financeiro e reduz parte do custo inicial, mas isso não significa que qualquer empresa será aprovada dentro de um processo migratório. O governo americano analisa a consistência do negócio, o perfil do empreendedor e a viabilidade econômica da operação”, explica a Dra. Larissa Salvador, fundadora da Salvador Law, nos EUA.
Cinco cuidados que brasileiros precisam ter antes de empreender nos Estados Unidos
Entender que abrir empresa não significa ganhar visto: Esse é um dos equívocos mais comuns entre brasileiros que desejam morar nos Estados Unidos. Segundo a especialista, é possível abrir legalmente uma empresa no país mesmo sem possuir residência americana ou autorização de trabalho. No entanto, isso não garante nenhum benefício migratório automático.
“Muitos empresários investem acreditando que a empresa, sozinha, vai facilitar a permanência no país. Mas imigração e abertura empresarial são processos distintos. Quando não existe alinhamento jurídico desde o início, o risco de negativa aumenta significativamente”, explica. Ela reforça que o planejamento precisa envolver simultaneamente estrutura empresarial, estratégia migratória e documentação financeira.
Escolher o tipo de visto errado pode comprometer anos de planejamento: Nem todo empreendedor se encaixa na mesma categoria migratória. Existem vistos voltados para investidores, empresários, executivos, profissionais com habilidades específicas e até empreendedores ligados à inovação.
A origem do dinheiro precisa estar completamente documentada: O governo americano também exige comprovação detalhada sobre a origem dos recursos utilizados no investimento. Extratos bancários, declarações fiscais, contratos, venda de patrimônio e histórico financeiro costumam ser analisados de forma minuciosa. Segundo a advogada, esse é um ponto que surpreende muitos brasileiros. “É preciso comprovar de forma organizada como esse patrimônio foi construído ao longo do tempo. Processos sem documentação consistente costumam gerar exigências adicionais ou até negativas.” Ela explica que movimentações financeiras desorganizadas podem levantar questionamentos durante a análise migratória.
O setor escolhido faz diferença na análise do processo: Embora não exista uma lista oficial de “empresas aprovadas”, alguns segmentos costumam transmitir maior estabilidade econômica e previsibilidade para as autoridades americanas. Áreas como tecnologia, saúde, logística, franquias, construção civil especializada e serviços empresariais estão entre os setores que mais atraem brasileiros atualmente.
“Negócios estruturados, com geração de emprego, operação clara e potencial de crescimento costumam ser mais bem vistos. O plano de negócios precisa demonstrar viabilidade real no mercado americano”, afirma. Segundo a especialista, muitos brasileiros erram ao tentar replicar exatamente o modelo de negócio que possuíam no Brasil sem adaptação ao comportamento do consumidor americano.
Promessas milagrosas na internet podem gerar prejuízos financeiros e migratórios: Com o aumento da procura por imigração empresarial, cresceram também anúncios prometendo aprovação rápida, processos fáceis e “vistos garantidos”.
Segundo Larissa, esse tipo de promessa ignora a complexidade da legislação americana e pode trazer consequências graves. “O governo americano é extremamente rigoroso. Cada detalhe do processo é analisado: origem dos recursos, capacidade financeira, histórico profissional, estrutura empresarial e coerência das informações apresentadas.” Ela alerta que processos mal conduzidos podem gerar negativas, perda financeira e dificuldades futuras em novos pedidos migratórios.
Para a advogada, o momento econômico pode representar uma janela importante para quem deseja internacionalizar patrimônio ou expandir negócios, mas a decisão precisa ser tomada com planejamento e segurança jurídica. “Empreender nos Estados Unidos pode transformar carreiras e patrimônios. O caminho existe, é viável e está mais acessível do que há alguns anos. Mas o sucesso depende de estratégia, documentação sólida e orientação especializada desde o primeiro passo”, conclui.
Sobre a Dra Larissa Salvador: Advogada de imigração tem como missão representar brasileiros que desejam conquistar o Sonho Americano por meio de soluções jurídicas personalizadas. Nascida em Madureira, no Rio de Janeiro, e tendo vivido boa parte da sua vida no Complexo do Alemão (RJ), Larissa passou mais de dez anos em situação ilegal nos Estados Unidos; experiência que despertou sua vocação para o Direito Imigratório. Residente em Boca Raton, na Flórida, Larissa é licenciada pela Ordem dos Advogados (BAR) da Flórida e de Washington DC e está há seis anos à frente da Salvador Law, escritório especializado em imigração, onde atua em processos de vistos para trabalho/negócios, estudo e turismo; defesa em casos de deportação; pedidos de fiança; regularização de status e ações com base no VAWA (Violence Against Women Act). Seu trabalho vem sendo amplamente reconhecido: recebeu o prêmio Top 40 Under 40 pela National Black Lawyers Association; o título de Personalidade Feminina do Ano pelo International Business Institute; e foi nomeada entre os Advogados Mais Influentes de 2025, com destaque no The Washington Post. Atualmente, a Salvador Law se consolida como referência em atendimento a brasileiros nos EUA, oferecendo uma gama completa de serviços jurídicos em imigração. Saiba mais em: https://salvadorlawpa.com



