- mell280
01/06/2026 07h41
77% dos consumidores brasileiros já usam inteligência artificial
Estudo aponta salto expressivo na adoção da tecnologia e mostra como o uso de algoritmos está transformando radicalmente a jornada de decisão e o carrinho de compras do brasileiro.
O perfil do consumidor brasileiro mudou drasticamente em 2026, tornando-se mais imediatista e focado em benefícios práticos para o bolso e para a rotina. É o que revela a nova edição do relatório anual Consumer Pulse, divulgado em março pela consultoria global Bain & Company. Segundo o estudo, a Inteligência Artificial (IA) consolidou-se no país, sendo adotada por 77% da população como uma ferramenta essencial para acelerar a jornada de compra e obter vantagens financeiras imediatas. Trata-se de um salto expressivo frente aos 62% registrados no ano anterior.
O levantamento aponta que o "consumidor equilibrista" de 2025, que tentava balancear cortes de custos sem abrir mão de prioridades, deu lugar a um cliente que exige soluções rápidas e retornos tangíveis das marcas. Essa busca por valor molda diretamente a relação com o comércio digital, com os programas de fidelidade e com o orçamento doméstico.
A IA deixou de ser um diferencial tecnológico para se transformar em um motor de vendas no varejo digital. O relatório da Bain & Company mostra que os brasileiros já manifestam o desejo de transferir mais de 50% de suas compras online para Assistentes Virtuais de Compra.
Essa migração está concentrada em etapas estratégicas da jornada do cliente, como a descoberta de novos produtos, o recebimento de recomendações personalizadas e o suporte na busca por fretes e preços mais competitivos. A tecnologia atua como um catalisador de tempo para um consumidor que tem pressa.
No entanto, o avanço do e-commerce desenha um cenário híbrido. Embora o ambiente digital lidere em categorias como eletrônicos (48% de preferência) e moda (39%), o varejo físico ainda mantém a soberania nas compras do dia a dia, como alimentos e itens essenciais.
Fidelidade e a disputa pelo bolso do cliente
Com 57% dos brasileiros preocupados com a saúde financeira (índice que sobe para 61% entre as mulheres e a população de baixa renda), o mercado de consumo ficou mais restrito. Cerca de 74% dos entrevistados afirmaram que congelaram os gastos com produtos e serviços que não consideram essenciais.
Diante da fragilidade econômica, as estratégias automatizadas de CRM com WhatsApp tornam-se canais indispensáveis para entregar o principal argumento de conversão para o varejista: o benefício imediato. O retorno precisa ser claro e atrativo, já que no varejo alimentar, 62% dos consumidores admitem que descontos e recompensas definem qual marca ou estabelecimento escolher. Nos serviços financeiros, essa influência é de 57%.
O imediatismo do brasileiro não se restringe às finanças, pois ele também invadiu os cuidados com o corpo. Considerada extremamente importante por 46% dos participantes (índice superior ao dos EUA e Europa), a saúde virou prioridade em um país onde a obesidade atingiu 30% da população.
O reflexo mais claro dessa urgência por resultados é o boom das canetas emagrecedoras. O uso desses medicamentos saltou de apenas 2% em 2025 para 11% em 2026. A tendência é de forte expansão para o mercado farmacêutico e de bem-estar, impulsionada pela quebra de patentes da semaglutida, queda nos preços e a chegada de versões orais.
O relatório Consumer Pulse é um aviso para o ecossistema de negócios: a utilidade percebida virou a moeda de troca mais valiosa do mercado. Para sobreviver em 2026, as empresas de varejo e consumo precisam demonstrar de forma transparente, rápida e sem fricção como seus produtos podem facilitar a vida de um cliente que não está disposto a perder tempo.


