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Morte no rope jump: a corda esquecida, o post no Instagram e os detalhes do salto fatal em SP


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15/06/2026 12h34

Morte no rope jump: a corda esquecida, o post no Instagram e os detalhes do salto fatal em SP

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, foi lançada de 40 metros sem o equipamento de segurança conectado ao corpo; três operadores foram presos por homicídio com dolo eventual

Por: Ivan Longo


 morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, neste sábado (13), durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, expôs uma sequência de falhas graves em uma atividade de risco extremo que segue sem regulamentação específica no Brasil. 

A jovem foi lançada de uma altura de 40 metros sem que a corda de segurança estivesse conectada ao corpo. Segundo a Polícia Civil, o equipamento ficou enrolado no chão da estrutura de salto. Vídeos gravados por testemunhas registraram o desespero de quem percebeu a falha segundos depois do impulso: “a corda”, “gente, a corda!”.

Três operadores foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, tipificação usada quando a autoridade entende que os envolvidos assumiram o risco de matar. A atividade era cobrada a R$ 180 por salto e, de acordo com a investigação, era conduzida por grupos informais, sem empresa formalmente constituída por trás da operação.

Os últimos registros de Maria Eduarda antes do salto de rope jump

Horas antes da tragédia, Maria Eduarda publicou uma sequência de stories no Instagram mostrando o local do salto, as pulseiras de identificação e imagens dos instrutores pulando da ponte. Em uma das postagens, feita às 7h31, ela brincou com a própria coragem: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???”.

 

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Publicações feitas por Maria Eduarda no Instagram pouco antes do salto fatal de rope jump

Natural de Jandira, em São Paulo, Maria Eduarda tinha formação em educação física e gestão esportiva. Nas redes sociais, costumava compartilhar sua paixão por atividades ao ar livre.

Na manhã de sábado (13), ela foi levada até a beirada da plataforma por três funcionários, que a carregaram pelos braços antes de impulsioná-la para frente. A corda, no entanto, não havia sido conectada ao corpo da jovem.

Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local. A causa apontada foi politraumatismo.

A falha que levou à morte

O vídeo gravado por testemunhas mostra três funcionários carregando Maria Eduarda pelos braços até a beirada da plataforma. Ela é impulsionada para frente. Nos segundos seguintes, os gritos se multiplicam.

Assista [ATENÇÃO, CONTEÚDO SENSÍVEL]:

Segundo a Polícia Civil, a corda de segurança havia ficado enrolada no chão da estrutura de salto. O equipamento jamais foi conectado ao corpo da jovem.

Uma testemunha que saltaria logo depois relatou à polícia que os instrutores não realizaram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda. O procedimento é considerado básico em atividades de risco, justamente para confirmar se todos os equipamentos estão fixados corretamente antes da autorização para o salto.

No caso de Maria Eduarda, essa etapa não foi feita. A falha só foi percebida por testemunhas quando ela já havia sido lançada.

Três presos por homicídio com dolo eventual

A Polícia Militar atendeu à ocorrência e conduziu seis pessoas ao Distrito Policial de Limeira. Três permaneceram detidas: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42.

Todos foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, modalidade que reconhece que o agente assumiu conscientemente o risco de produzir o resultado morte.

Segundo o boletim de ocorrência, quando os policiais chegaram ao local, dois indivíduos fugiram em direção a uma área de vegetação. Foi necessário acionar outras viaturas e o helicóptero Águia da Polícia Militar para localizá-los.

Em depoimento, os instrutores não souberam explicar a falha. Alegaram não se recordar de quem era a responsabilidade de colocar a corda nem por que a fiscalização final não foi feita.

Grupos informais e operação sem empresa

Os três presos usavam camisetas das marcas “Entre Cordas” e “Ih Voei”, identificadas pela polícia como grupos informais de praticantes. Segundo a investigação, não havia empresas formalmente constituídas por trás da operação.

A atividade era vendida por R$ 180 por salto. Além do evento realizado na Ponte do Esqueleto, havia outras cinco datas agendadas, com atividades previstas em São Paulo e Minas Gerais.

O advogado de defesa classificou o caso como uma “triste fatalidade” e argumentou que o rope jump não é proibido no Brasil. A tipificação adotada pela Polícia Civil, no entanto, aponta para outra interpretação: diante de uma atividade de risco extremo, a ausência de protocolo mínimo de segurança foi tratada como assunção do risco de matar.

O que é rope jump

O rope jump é uma modalidade diferente do bungee jump, mais conhecido no Brasil. No bungee jump, o praticante costuma ser preso pelos pés a cordas elásticas, que provocam o efeito de “ioiô” depois da queda.

No rope jump, são usadas cordas estáticas presas à cintura e ao peitoral. Depois da queda controlada, o saltador balança como um pêndulo humano.

Por se tratar de uma atividade de risco extremo, operadores profissionais adotam protocolos rígidos de segurança. Um dos principais é a checagem dupla: mais de um instrutor confirma que todos os equipamentos estão presos corretamente antes da autorização para o salto.

Na Ponte do Esqueleto, segundo os relatos reunidos pela polícia, essa etapa simplesmente não aconteceu na vez de Maria Eduarda.

“Foi um erro grotesco”, diz presidente de associação

Marco Antonio de Campos, presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, classificou o ocorrido como uma falha gravíssima.

“Foi um erro grotesco. Essa é a palavra correta. Esqueceram metade da operação. Foi um erro muito básico de alguém que não tinha a mínima noção do que estava fazendo”, afirmou.

Campos também apontou outra irregularidade no procedimento adotado pelos operadores: Maria Eduarda foi carregada pelos braços e arremessada pelos instrutores, prática que, segundo ele, não corresponde ao protocolo padrão.

“A gente não joga o cliente assim”, disse.

Para o presidente da associação, a resposta ao caso deve passar pela regulamentação da atividade.





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