21/08/2026 11h23
Fundação Florestal amplia uso de tecnologia para combater e prevenir incêndios florestais em São Paulo
Uso integrado de drones termais, satélites de alta precisão, varredura a laser e inteligência artificial permite detectar focos de calor, prever o comportamento do fogo e orientar brigadas em tempo real nas Unidades de Conservação durante o período de estiagem paulista
Para reforçar as ações de combate aos incêndios florestais durante o período de estiagem, a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), intensificou a aplicação do programa Geointeligência Integrada para Proteção Ambiental nas Unidades de Conservação estaduais. A iniciativa integra o investimento de R$ 19,3 milhões do Governo de São Paulo para a Operação SP Sem Fogo, voltado à infraestrutura, proteção ambiental e equipamentos de campo.
O sistema conecta diferentes frentes de monitoramento em todo o estado. Drones com sensores termais identificam focos de calor mesmo sob fumaça densa e durante operações noturnas, enquanto satélites acompanham as áreas protegidas para detectar alterações na vegetação e desmatamentos. Paralelamente, a tecnologia de varredura a laser por LiDAR mapeia o relevo em três dimensões para estimar a propagação das chamas, e algoritmos de inteligência artificial cruzam dados de vento, temperatura e umidade para simular a trajetória do fogo.
"A modernização tecnológica permite migrar para um modelo preventivo e contínuo, fundamental para os meses de estiagem em São Paulo. As ferramentas trazem maior eficiência na aplicação dos recursos públicos e dão agilidade e segurança às equipes que atuam na preservação das áreas protegidas", afirma Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal.
Monitoramento orbital e inteligência preditiva
O monitoramento via satélite fornece imagens orbitais e alertas automáticos geoespaciais. Apenas no Estado de São Paulo, a plataforma já gerou 21.501 alertas, dos quais 1.850 incidiram em Unidades de Conservação estaduais. O rastreamento contínuo permite identificar precocemente desmatamentos, abertura de estradas clandestinas e construções irregulares.
Além das imagens de satélite, a instituição utiliza uma plataforma de gestão de risco de incêndios movida a inteligência artificial. O sistema processa variáveis como temperatura, direção do vento, declividade do terreno e acúmulo de vegetação seca. Com essas informações, a gestão consegue antecipar cenários, posicionar brigadas de forma estratégica e planejar a abertura de aceiros nos pontos mais vulneráveis.
Drones termais e mapeamento a laser no solo
No trabalho tático em campo, as equipes operam aeronaves remotamente pilotadas (drones) equipadas com câmeras ópticas de alta definição e sensores infravermelhos. Os aparelhos detectam focos residuais de calor e focos de reignição invisíveis a olho nu, garantindo suporte operacional à noite ou sob baixa visibilidade causada pela fumaça.
O trabalho é complementado pelo sistema LiDAR (Light Detection and Ranging), tecnologia embarcada em drones que utiliza pulsos de laser para mapear a estrutura da floresta e do solo em três dimensões. O modelo 3D sinaliza corredores naturais de propagação do fogo, auxilia na definição de rotas de acesso e fuga para os brigadistas e identifica intervenções sob a copa das árvores.
Resposta rápida e integração com forças de segurança
Os dados e alertas gerados pelas plataformas tecnológicas são centralizados pela Diretoria de Proteção Ambiental da Fundação Florestal, que converte as informações em relatórios georreferenciados. Os relatórios orientam operações conjuntas com a Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e órgãos de fiscalização.
"A integração entre dados de satélite, inteligência artificial e ferramentas de campo transforma alertas brutos em informação prática. Conseguimos prever o comportamento do fogo, identificar ameaças de invasão e direcionar as brigadas e forças de segurança com coordenadas exatas, reduzindo o tempo de resposta nas operações", explica Adriano Candeias, diretor de proteção ambiental da Fundação Florestal.
Infraestrutura de campo e reforço operacional
O recurso de R$ 19,3 milhões da Operação SP Sem Fogo também destina recursos para a logística e estrutura terrestre da Fundação Florestal. Foram adquiridas 25 caminhonetes 4x4, 9 tanques-pipa de 5 mil litros, 131 mochilas flexíveis para combate direto, 42 sopradores, 14 kits de combate para picapes e drones de longo alcance para detecção precoce.
Para a manutenção de aceiros, trilhas e vias internas, a instituição recebeu 27 tratores, 9 retroescavadeiras, 12 roçadeiras hidráulicas, 7 carretas agrícolas, 2 motoniveladoras e picadores de galhos. A operação em campo conta ainda com o reforço de 243 brigadistas temporários contratados para o período de estiagem, distribuídos em polos regionais com foco no monitoramento e na orientação de proprietários rurais vizinhos às Unidades de Conservação.
Com o conjunto de tecnologias aplicadas, investimentos em infraestrutura e reforço das equipes de campo, a Fundação Florestal consolida um modelo de gestão voltado à prevenção e à resposta rápida, fortalecendo a proteção da biodiversidade e do patrimônio natural do Estado de São Paulo.




