21/08/2026 10h00
Brasil bate recorde de 83,9 milhões de negativados: 5 passos para reorganizar o orçamento antes de 2027
Especialista explica por que os próximos meses são uma oportunidade para revisar o orçamento, corrigir excessos e evitar terminar o ano no vermelho
Check-up financeiro de 2026: 5 passos para reorganizar o orçamento antes do ano acabar
Especialista explica por que os próximos meses são uma oportunidade para revisar o orçamento, corrigir excessos e evitar terminar o ano no vermelho
Todo começo de ano vem acompanhado de promessas: economizar mais, sair das dívidas e colocar a vida financeira em ordem. Mas, com o segundo semestre, imprevistos e o aumento do custo de vida fazem muitos brasileiros perceberem que precisam rever essas metas antes da chegada de 2027.
O país fechou julho com 83,9 milhões de pessoas negativadas, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, o maior número já registrado, após 19 meses consecutivos de alta. Em média, cada inadimplente acumula mais de três dívidas, somando R$6.877,23, sendo o cartão de crédito o principal responsável (73% dos casos). Ainda assim, guardar dinheiro segue como a meta mais citada pelos brasileiros para 2026, à frente até de passar mais tempo com a família, segundo pesquisa do Datafolha.
Para Marco Afonso, especialista em finanças da Simplic, os próximos meses são uma oportunidade para revisar hábitos financeiros e fechar 2026 com mais organização. "Muita gente deixa para pensar no orçamento apenas em dezembro, quando já há pouco espaço para mudar a situação. Ainda há tempo para terminar o ano de forma muito mais tranquila", explica.
- Entenda para onde o dinheiro está indo
Separar as despesas por categoria, alimentação, moradia, transporte, lazer, assinaturas, ajuda a identificar onde o orçamento saiu do controle.
"Nem sempre o problema é gastar demais. Muitas vezes a pessoa perde a noção de para onde o dinheiro está indo. Quando visualiza esses gastos, consegue ajustar de forma mais consciente", afirma Afonso.
- Nem toda dívida precisa ser resolvida ao mesmo tempo
Reunir todas as dívidas em um só lugar e priorizar as com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, traz resultados mais rápidos do que tentar quitar tudo de uma vez.
"Quando a pessoa tenta resolver tudo ao mesmo tempo, a sensação de que não vai conseguir pode desanimar. Priorizar as dívidas mais caras ajuda a manter a organização", explica. Hoje, boa parte das instituições financeiras oferece canais digitais para negociação, o que facilita acordos e pode reduzir o valor total da dívida.
- Pequenos gastos também merecem atenção
Assinaturas esquecidas, aplicativos pouco usados e compras por impulso podem consumir uma parcela importante da renda sem que o consumidor perceba.
"São despesas que parecem pequenas isoladamente, mas fazem diferença quando se repetem no mês. Revisar esses gastos de tempos em tempos costuma gerar uma economia importante", diz.
- Criar uma reserva começa com pequenos valores
Não é preciso esperar sobrar dinheiro para começar: separar uma quantia fixa todo mês, de preferência em conta separada do dia a dia, ajuda a construir segurança para imprevistos sem recorrer ao crédito.
"O mais importante é criar o hábito. Mesmo que o valor seja pequeno, guardar um pouco todos os meses ajuda a lidar com imprevistos", afirma.
- Metas simples costumam funcionar melhor
Objetivos vagos, como "quero economizar mais", tendem a funcionar pior do que metas específicas: definir quanto guardar por mês ou qual dívida quitar até dezembro torna o acompanhamento mais fácil.
"Organizar as finanças não significa mudar de vida de uma hora para outra. Pequenos ajustes consistentes trazem resultados melhores do que grandes promessas abandonadas no meio do caminho. Ainda há tempo para recuperar o equilíbrio financeiro e começar o próximo ano com mais organização", conclui.
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