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Mais folhas, menos colmos: o que revela pesquisa inédita com os principais híbridos de braquiária do Brasil


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29/10/2026 08h00

Mais folhas, menos colmos: o que revela pesquisa inédita com os principais híbridos de braquiária do Brasil

OPA Assessoria em Comunicação



Pesquisa da UFSJ com dez materiais indica que a produtividade deve ser analisada em conjunto com a composição da forragem; braquiária híbrida Mavuno liderou em produção anual de folhas, com 17,31 toneladas por hectare, e registrou relação folha/colmo de 4,68

Um estudo conduzido na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) com dez materiais de Urochloa, incluindo híbridos de braquiária disponíveis no mercado, aponta que não apenas a produção de massa seca, mas também a relação folha/colmo deve ser considerada na avaliação de cultivares destinadas à formação de pastagens.

O indicador expressa a proporção entre folhas e colmos na forragem. Isso porque, de maneira geral, as folhas apresentam maior valor nutricional e digestibilidade do que os colmos, características importantes para o aproveitamento da pastagem pelos animais. Na prática, produzir maior volume de capim não significa necessariamente disponibilizar mais folhas para o rebanho.

Realizado durante 2025, em São João del-Rei (MG), região do Campo das Vertentes, o trabalho avaliou a produção e a composição da forragem nos períodos das águas e da seca e comparou nove híbridos com a cultivar Marandu, amplamente utilizada no Brasil. Entre os materiais estudados, a braquiária híbrida Mavuno destacou-se pela elevada produção de folhas e pela composição morfológica da forragem, com 22,15 toneladas por hectare ao ano, sendo 17,31 toneladas de folhas — a maior produção foliar em termos numéricos entre os dez materiais avaliados — e 3,69 toneladas de colmos. A relação folha/colmo chegou a 4,68. 

“O Campo das Vertentes se destaca pela produção de leite, com inúmeras propriedades que utilizam sistemas de produção a pasto. Encontrar híbridos mais adaptados e produtivos às nossas condições é importante para diversificar as pastagens, já que o capim Marandu é predominante na região. É importante destacar, porém, que os resultados são indicativos para as condições locais e que estudos dessa natureza devem ser realizados em outras regiões do país”, explica a professora Janaina Azevedo Martuscello Vieira da Cunha, da UFSJ, orientadora da pesquisa.

Produção anual

A massa seca de folhas foi um dos principais destaques do Mavuno no experimento. Com 17,31 toneladas por hectare ao longo do ano, o híbrido registrou a maior produção numérica de folhas entre os dez materiais avaliados, considerando os resultados obtidos nas águas e na seca. O volume corresponde a aproximadamente 78% das 22,15 toneladas de matéria seca produzidas por hectare no ano. A produção foliar também ficou cerca de 20% acima do Marandu, utilizado como testemunha no estudo. Já a produção de colmos foi 28,4% menor e a relação folha/colmo, 66,1% superior à do Marandu, duas diferenças estatisticamente significativas.

Segundo o trabalho, uma maior participação de folhas está associada a características importantes para o aproveitamento da pastagem, incluindo valor nutritivo, digestibilidade e potencial de consumo pelos animais. Esses atributos, entretanto, não foram medidos diretamente no experimento, que se concentrou na produção e na composição morfológica da forragem.

Em relação aos demais híbridos presentes no estudo, embora tenham apresentado maior produção numérica de matéria seca total, registraram relação folha/colmo de 2,54, contra 4,68 do Mavuno. A diferença de aproximadamente 85% na relação entre os componentes foi estatisticamente significativa.

Outro resultado foi a baixa produção de inflorescências. No acumulado anual, o Mavuno produziu 3,27 kg/ha e ficou entre os materiais de menor produção desse componente avaliados no experimento.

Resultado nas águas

No período das águas, o Mavuno produziu 16,94 toneladas de matéria seca por hectare, ficando entre os maiores resultados numéricos observados no estudo. Desse total, 13,60 toneladas por hectare corresponderam à massa seca de folhas.

A produção de folhas nesse período foi 20,2% superior à cultivar-testemunha em termos numéricos. A relação folha/colmo ficou em 4,67, enquanto a produção de colmos foi de aproximadamente 2,91 toneladas por hectare.

Para Lucas Miguel Martins, autor do estudo, a composição morfológica foi um dos principais destaques do Mavuno durante o experimento. “Em relação à proporção entre folhas e colmos, o desempenho foi muito positivo, com alta produção de folhas, baixa produção de colmos e pouquíssima produção de inflorescências e material morto”, destaca.

Lucas também chamou a atenção para a capacidade de recuperação do Mavuno após os cortes. Segundo ele, durante o experimento, a forrageira voltava a atingir a altura estabelecida para o manejo em cerca de três semanas, podendo chegar a 25 dias.

Folhas também na seca

O comportamento foi observado também entre junho e outubro, período correspondente à estação seca no experimento. O Mavuno produziu 5,21 toneladas de matéria seca por hectare, das quais 3,72 toneladas foram de folhas.

A produção foliar ficou 19,76% acima da cultivar utilizada como testemunha, em termos numéricos. O híbrido também manteve elevada participação de folhas e baixa presença de colmos, características relevantes para a avaliação de materiais com potencial de utilização durante o período seco, desde que submetidos a manejo adequado.

“Na escolha da pastagem, não basta olhar o volume de massa produzido. O produtor precisa considerar quanto dessa produção está em folhas e como o pasto responde nas águas e na seca. O estudo mostra uma combinação relevante de alta produção foliar e menor participação de colmos, indicadores importantes para o aproveitamento da forragem pelos animais”, afirma Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds. 

Pesquisa e aplicação no campo

A pesquisa foi desenvolvida no Campus Tancredo de Almeida Neves (CTAN), da UFSJ, como trabalho de conclusão do curso de Zootecnia de Lucas Miguel Martins, sob orientação da professora doutora Janaina Azevedo Martuscello Vieira da Cunha. O material completo pode ser acessado em https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/cozoo/TCC/2026-1/TCC_HIBRIDOS_-_Lucas_Martins_Corrigido_assinado_as_260716_132104.pdf.

Para a Wolf Seeds, o estudo reforça a necessidade de ampliar os critérios utilizados na escolha de uma cultivar. Além da quantidade total de matéria seca, características relacionadas à composição da forragem, à distribuição da produção entre os períodos das águas e da seca e ao comportamento da planta ao longo do ano ajudam a avaliar seu potencial de utilização na alimentação animal.

Wolf Sementes

Com sede em Ribeirão Preto (SP), a Wolf Sementes contribui há 50 anos com a pecuária nacional e internacional. Apoiada fortemente em controle de qualidade e gestão, a Wolf Sementes foi pioneira do segmento de pastagem a obter, em 2008, a certificação de qualidade ISO 9001. A empresa é associada às principais entidades dos setores onde atua, como Unipasto, ABCZ e APPS (Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas).  Com atuação em todo o território nacional, também exporta para mais de 65 países.

 

 

Parcelas experimentais de híbridos de braquiária (Urochloa) avaliados em pesquisa da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), no Campo das Vertentes (MG).


 

 
 

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