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Queda do consumo preocupa mais o empresário do que os juros, aponta Índice Mercado & Opinião


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  • mell280

29/10/2026 08h18

Queda do consumo preocupa mais o empresário do que os juros, aponta Índice Mercado & Opinião

Karol Romagnoli


Nova edição registra otimismo médio de 4,96 em 10, sete em cada dez executivos à espera de um consumidor mais retraído e preservação de caixa empatada com vendas no topo das prioridades

A retração do consumo superou os juros como principal fonte de preocupação dos líderes empresariais brasileiros para o fim de 2026. É o que mostra a edição de setembro/outubro do Índice Mercado & Opinião (IMO), indicador proprietário que acompanha confiança, expectativas e disposição estratégica de donos, CEOs e conselheiros. Para 34% dos participantes, a queda do consumo é o maior risco até dezembro, enquanto 11,3% apontam diretamente os juros elevados.

A expectativa sobre o consumidor reforça o diagnóstico: 71,7% projetam redução moderada ou significativa do consumo até o fim do ano, 24,5% esperam estabilidade e apenas 1,8% contam com crescimento. A nota média de otimismo ficou em 4,96, abaixo do patamar de 7 considerado confortável pelo índice e distante dos 6 pontos registrados em dezembro de 2025.

"O juro alto já estava na conta do empresário. A novidade desta edição é a percepção de que o consumidor perdeu fôlego. Com crédito caro e demanda fraca ao mesmo tempo, a margem de manobra das empresas encolhe bastante", afirma Marcos Koenigkan, coordenador institucional do IMO.

O ajuste já chegou à estratégia. Pouco mais de 70% dos executivos relatam alguma mudança nos planos de crescimento: 35,8% priorizam eficiência e rentabilidade, 22,6% adiam investimentos e 13,2% desaceleram a expansão. Só 22,5% mantêm a rota original. Entre as prioridades, crescimento de vendas e preservação de caixa dividem o primeiro lugar, com 34% cada, enquanto expansão e novos investimentos aparecem para apenas 3,8%.

"A empresa continua querendo vender mais, mas agora exige que cada real investido se pague rápido. Quem tem projeto de retorno longo está escalonando, adiando ou revendo o tamanho do passo", diz Lucas Borges, responsável pela análise e curadoria técnica do índice ao lado de Koenigkan.

Curiosamente, a avaliação sobre o crédito não é majoritariamente negativa. Para 39,6% dos participantes, as condições são favoráveis ou muito favoráveis; 32,1% as consideram neutras e 28,3%, restritivas. O dado sugere que, para boa parte das empresas ouvidas, o problema é menos o acesso e mais o custo. Entre os impactos dos juros, a redução da demanda lidera (30,2%), seguida por custo de financiamento (20,8%), pressão sobre margens (18,9%) e inadimplência (13,2%).

O levantamento chega num momento de inflação novamente pressionada. O IPCA de setembro subiu 0,82%, segundo o IBGE, e o acumulado em 12 meses alcançou 4,58%, acima do teto da meta, com a Selic em 13,75% ao ano. Nas respostas abertas, a redução dos juros surge como a demanda mais imediata, quase sempre acompanhada de pedidos por ajuste fiscal, controle de gastos e segurança jurídica.

"Quem pede Selic menor costuma emendar, na mesma resposta, a necessidade de colocar as contas públicas em ordem. O empresário sabe que um corte sem base fiscal não se sustenta e prefere previsibilidade a alívio de curto prazo", observa Koenigkan.

Por setor, a indústria relata pressão simultânea sobre demanda, margens e custo do dinheiro; o comércio aponta o consumo como principal risco, com inadimplência e capital de giro no radar; serviços e agro destacam também o atraso nos pagamentos dos clientes. Na tecnologia, a exposição varia conforme o modelo de negócio e a dependência de financiamento.

A amostra do IMO é qualificada e concentrada em agentes decisórios, mas não probabilística. Os resultados indicam tendência, direção e intensidade, sem pretensão de inferência estatística sobre o total das empresas brasileiras. A coleta desta edição ocorreu em meados de setembro, e a próxima divulgação está prevista para outubro/novembro.

Sobre o Índice Mercado & Opinião. O IMO é um indicador proprietário que mede o nível de confiança, a expectativa e a disposição estratégica de líderes empresariais no Brasil. A coordenação institucional é de Marcos Koenigkan, e a análise e curadoria técnica, de Marcos Koenigkan e Lucas Borges. O levantamento tem como parceiros estratégicos o Banco BS2 e a Elytron Cybersecurity e, como parceiros executivos, a MIB Brasil e a Sierra.

 

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